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Sabe o que são as smart cities? Um negócio para as PME

Fevereiro 8, 2018

O uso da tecnologia que potencia a sustentabilidade dos principais centros urbanos do mundo oferece possibilidades de negócio às empresas mais inovadoras. Espanha e América Latina concentram o grosso das oportunidades.

As pequenas e médias empresas (PME), sobretudo as de base tecnológica, podem aproveitar-se das oportunidades das smart cities ou cidades inteligentes. Melhorar o seu funcionamento e o bem-estar dos cidadãos através de soluções cloud é o objetivo de muitos governos, que procuram serviços sustentáveis que os ajudem a poupar e a reduzir gastos.

Ainda que a maioria de projetos das smart cities estejam liderados por grandes empresas, para além das administrações públicas, são as PME as que desempenham o papel mais importante. Proporcionam a tecnologia que precisam as multinacionais, encarregam-se da instalação logística e ocupam-se da manutenção e o armazenamento de dados, entre outros aspetos.

Existem, portanto, numerosos projetos. A maioria centra-se em temas de segurança, transporte, energia, comunicação, gestão de recursos, saneamento de água e transparência governamental. Nenhuma cidade é melhor que outra, pois tudo depende da proposta de valor de cada empresa assim como das condições do lugar de destino.

As PME devem analisar se a smart city onde se pretende instalar é um bom mercado para desenvolver a sua tecnologia. Além de identificar as suas necessidades, convém estudar onde estão instaladas as grandes corporações, que sejam do seu mesmo setor de atividade, para oferecer-lhes serviços auxiliares.

As cidades inteligentes permitem às empresas crescer a nível nacional e internacional, utilizando os governos como ponte para estender-se e exportar as suas soluções digitais.
Para aproveitar estas oportunidades, as empresas devem considerar o seguinte:

O que precisa cada Estado?

A maioria das smart cities procura serviços tecnológicos como a monitorização (através de sensores) da contaminação, do ruído, do trânsito nos meios de transporte, das vagas nos parques de estacionamento público, entre outros. Requerem protocolos de comunicação, plataformas que conectem objetos à Internet e programas de análise de dados. Com esta informação, os governos conseguem administrar melhor os seus recursos e ter facilidade para prever problemas. Por exemplo, no Perú só se trata 30% da água residual, pelo que a gestão inteligente dos meios hídricos oferece importantes oportunidades de negócio.

Tipo de iniciativa e mercado

Os projetos smart variam em função da prioridade de cada governo. Por exemplo, o objetivo do Executivo chinês para melhorar a mobilidade em cidades como Pequim (abarrotada pelo grande número de habitantes) traduz-se na aplicação de sistemas telemáticos no transporte para obter mais segurança. Na Europa, a aposta centra-se no open data devido a que a maioria das capitais já têm as infra-estruturas desenvolvidas. Um caso claro é o de Barcelona, que pretende posicionar-se como líder de smart government (consiste na aplicação da tecnologia à gestão pública para dotar um Estado de capacidade em aumentar o fluxo de informação para oferecer serviços públicos de alta qualidade) conforme cita o estudo Smart Cities: A transformação digital das cidades, realizado pela consultora PwC e IE Business School.

Projetos no mundo

Noutras cidades espanholas também existem iniciativas avançadas. Em concreto, Santander desenvolveu um sistema com mais de 20.000 sensores para controlar o meio ambiente, a iluminação e o barulho da cidade. Málaga iniciou um projeto de mobilidade que supôs a criação de uma frota de mais de 200 automóveis eléctricos. Madrid apostou na digitalização dos seus serviços públicos, desde o lixo até às limpezas. A Coruña e Valencia desenvolveram planos focados na centralização da informação municipal.

Mercados estrangeiros

América Latina é um mercado potencial para o desenvolvimento das PME, que podem acrescentar a sua experiência e tecnologia aos projetos internacionais. Estima-se que para 2020 as smart cities desta região (sobretudo, Arequipa, Guayaquil e Campeche) vão crescer mais de 19% até alcançar os 674,9 milhões de euros, de acordo com a consultora Markets & Markets. Em concreto, este continente investirá cerca de 90.000 milhões de euros por ano para criar eco-sistemas inovadores. O objetivo é melhorar as infra-estruturas, o transporte, a segurança e a gestão dos edifícios residenciais e comerciais das principais capitais. Os países que apresentam mais oportunidades são México, Perú, Brasil e Colombia.

Desenvolvimento

As empresas mais pequenas devem aproveitar os projetos que ainda estão numa fase inicial. Os mais destacados no mundo são Rede Cidade Digital no Brasil (envolve 300 municípios) e Vive Digital Colombia e Horizonte 2020. Existem iniciativas de sustentabilidade financiadas pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Apoios institucionais

Muitos Estados lançam programas de compra pública inovadora e com esses fundos fomentam o investimento das PME que desenvolvem trabalhos de I+D.

Parcerias

Para se envolver em trabalhos de grande dimensão, as PME devem associar-se a multinacionais que precisam da sua tecnologia. Quando se trata de um grande projeto, como a construção de uma linha de metro, normalmente são as grandes multinacionais que realizam. No entanto, as empresas de menor tamanho podem aproveitar as possibilidades que se lhes oferece.

Vantagens

O conhecimento técnico que têm as PME em transformação digital contribui para que sejam reconhecidas a nível internacional. Por exemplo, se uma empresa consegue desenvolver uma tecnologia em Nova Iorque adquire mais visibilidade, que de outro modo seria mais difícil.

Perfil da empresa

A empresa deve ser inovadora e ter uma proposta com um valor adicional para satisfazer as necessidades das cidades inteligentes.

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